Arquivo paramaio, 2010

FLIP 2010

(vida alheia aos holofotes, por Vanessa Aragão)

Já bateram o martelo na programação. O povo de lá continua como sempre foi. Se você ainda está na dúvida, pegue a estrada! Por que? Olha só:

- Tem Isabel Allende, na quinta-feira, às 17h15. (ok, não é simples estar lá a essa hora, mas vale o esforço)

- Tem Robert Darnton e Peter Burke, na mesa das 19h. Quem estuda prática de leitura e o objeto livro é  impossível perder. (acho que meu antigo editor, danado querido Luiz Queiroz, perdeu de vez o livro do Darnton que ele me emprestou)

- Ah tem cachaça e ruas com pedrinhas para você xingar sem problemas!

- Tem Azar Nafisi, “o cara” da literatura iraniana. ( e acreditem, quando as FLIPS acabam você só lembra dos autores com experiências bem distantes da sua realidade). A mesa dele é na sexta, às 17h15.

- Tem bolo de cenoura com chocolate e bombom da Maga. (valendo 4 horas de estrada!)

- E mais uma vez Salman Rushdie, às 19h. No outro ano foi emocionante. O motivo? Era a primeira vez que ele circulava em liberdade. Para quem não conhece a história dele trate de pesquisar. (até hoje não li o meu livro autografado :) )

- É claro que sábado às 10h, dia 07, tem mesa boa. Terry Eagleton. Polêmica certa: ciência e religião. Ele é um dos maiores críticos literários da atualidade. (vale chegar virada, de óculos escuros e reclamando do horário.)

- Vixe, e Robert Crumb, claro. Que incrível. Quero muito vê-lo na mesa das 17h15, hora cabalística.

- Tem o universo misterioso, magnânimo e absurdo do Paraty 33 e suas bandas horrorosas. (pode apostar: vale beber e tocar o sino que fica em cima do balcão).

- Domingo é dia de comprar entrada para a mesa das 10h ( que esse ano é 11h45) sem saber se vai acordar. É emoção e culpa do início ao fim. Afinal, não dá para ir a FLIP que homenageia Gilberto Freyre e não assistir a mesa alguma sobre ele. Então, anote: José de Souza Martins, Peter Burke e Hermano Vianna falam de Freire e o século 21.

- E para encerrar,ou não, tem uma mesa tão bacana para quem curte diários, como eu. Sou obcecada. A cubana Wendy Guerra fala do tema, às 14h30.

- Se sobrar pique, tem Benjamin Moser, o autor da biografia da Clarice, às 16h30.

Ainda falta comentar a programação infantil e a off. Dá para perceber que é maratona para quem tem muito fôlego. Quando me perguntam o que eu faço em Paraty, sempre escuto: “e você gosta disso?”.

Sim, ainda bem.

Crime e Castigo

Estou lendo a tradução de Paulo Bezerra, da Editora 34, lançada em 2001. É a única direta do russo. Por isso, estou encantada pelo trabalho realizado por ele.

Até então, tínhamos como base as versões dos franceses. E daí? E daí que recebemos a tradução da tradução. E muita coisa do original se perde pelo caminho.

Para pensar no trabalho do tradutor, as palavras dele:

“Toda tradução é a tradução do possível, o ato de traduzir, particularmente ficção, encerra uma boa dose de saudável ilusão, na medida em que acreditamos, honestamente, traduzir o que está no texto. Portanto, não podemos enfrentar um texto literário com a pretensão do “dois e dois são quatro” (…). É essencial que o tradutor conheça, e bem, o universo cultural em que se produz esse discurso e os seus referentes vários, somando-se a isso outra questão essencialíssima: a honestidade profissional, o comprometimento ético com a palavra do outro. Isso nos obriga a ir às últimas consequências, ao fundo do poço à procura do sentido mais próximo de determinada palavra ou expressão nas circunstâncias concretas da sua enunciação”.

Imprima-se: editor de calças curtas.

Sugiro o novo blog da Companhia das Letras. Semanalmente, uma coluna assinada por Luiz Schwarcz, cujo livro O discurso sobre o campim eu gosto tanto. A primeira é sobre a sua vida de editor.

Aqui.

Para os amigos periodistas de plantão…

Faço uma pausa para deixar a literatura de lado e pensar na vida de uma jornalista. :)
O artigo sensacional abaixo é de um jornalista esportivo do El Pais. A íntegra está no link no final da página.


La insoportable indignidad de ser periodista

Toda sabiduría humana se resume en dos palabras: esperar y esperanza”. (Alexandre Dumas)

Cualquier reportero, si es honesto, lo reconoce: el periodismo es un oficio indigno. Siempre esperando, siempre suplicando. Deberían incluir en todos los cursos de periodismo unas buenas sesiones de budismo zen, para que los jóvenes incautos que piensan meterse en este negocio adquieran las dosis necesarias de paciencia, filosofía, paz espiritual.

El problema es la entrevista, materia prima tan imprescindible para el reportero como el arroz para la paella, el balón para Leo Messi, el peluquero para David Beckham. Sin acceso a la gente indicada para determinada historia, no hay historia. Lo que hay es fracaso, fracaso que pude conducir al desempleo. Por eso lo primero que se requiere para ser reportero es persistencia, admirable virtud condenada siempre a rozar la humillación. Uno llama o envía un correo electrónico solicitando hablar con alguien.

Puede ser el asistente del alcalde de un pueblo de 500 personas, o el gerente de marketing de una mediana empresa de tuberías, o un ministro, o un personaje mundialmente conocido. Lo normal es que no te contesten ni a la primera, ni a la cuarta o que, peor todavía, te digan: “Mañana le decimos algo”. Llega mañana y no te han dicho nada. Al final coges el teléfono, llamas de nuevo y más de lo mismo. A veces, al final, te dicen que sí y la entrevista se hace; a veces acabas en nada.

El proceso es así. Pierdes el tiempo, te estresas, te desesperas, quieres matar a alguien, quieres matarte a ti mismo, te preguntas: “¿Por qué, por qué, por qué no le hice caso a mi mamá y me metí en un trabajo como Dios manda?”.

Ahora, lo peor, lo peor con diferencia, es ser un periodista deportivo. O, para ser más exactos, un periodista cuyo trabajo incluye la necesidad de acceder a futbolistas de Primera. Conseguir una entrevista con un jefe de gobierno o con un líder guerrillero no es fácil, pero es un juego de niños comparado con el calvario de intentar conseguirla con un chaval de 20 años que es millonario gracias a su especial habilidad para patear una pelota…

Leia na íntegra aqui

Festa Literária em Santa Teresa

A segunda edição da festa vai homenagear Manoel de Barros.

Então, anotem: dias 15 e 16 não percam as mesas de debate, as tendas de contadores de histórias, exibição de filmes e jornais de escolas da região.

Vale prestigar!

A programação está no site da Flist.

Amigos da loucura

ando cheia de parafernálias. merda. elas não ajudam os desvarios.

eraOdito

Porque eu achei sensacional!Devidamente roubado do eraOdito.

EU NA LAVANDERIA

- Grande escritor!
- Obrigado.
- É um prazer.
- Obrigado, obrigado.
- Grande escritor, grande escritor!
- Obrigado.
- Você vem sempre aqui?
- Sim, moro aqui do lado.
- Está sem empregada?
- Não tenho empregada.
- Não tem empregada?
- Não.
- E quem cuida da criança?
- Hã?
- Da roupa da criança?
- Hã?
- Vi você no Festival da Mantiqueira.
- Sim.
- O menino deve estar grande, não?
- O menino?
- Sim, Milton, seu filho.
- Milton, meu filho?
- Você é Hatoum, não é?
- Hatoum?
- Sim, Milton Hatoum?
- Eu sou.
- Então… Seu filho é uma graça!
- Obrigado, obrigado.
- Deve ter muita roupa suja aí, não?
- Muita. Criança, você sabe, é aquela bagunça.
- Li todos os seus livros.
- Obrigado.
- Grande escritor, grande escritor!
- Muito obrigado.
- Você mora onde aqui na Vila?
- Na Rua Purpurina.
- Bonito o nome da rua, não é?
- Bonito, sim.
- Todos os nomes da Vila, bonitos, não?
- Sim, sim.
- Quem sabe um dia Purpurina não vire Milton Hatoum?
- Que é isso?
- Claro…
- Gosto do nome Purpurina.
- Eu também, mas…
- Sem contar que mora um outro escritor na mesma rua.
- É?
- E ia ficar chato, entende?
- Entendo.
- Marcelino Freire, conhece?
- Marcelino?
- Marcelino Freire.
- Assim, de cabeça, não lembro.
- Um meio careca, de cabelos brancos, encaracolados…
- Ah! Sei, sim, um senhor.
- Mais velho do que eu.
- Acho que já trombei com ele por aqui.
- Grande escritor, grande escritor!

Para sempre

Carlos Drummond de Andrade

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga,
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Barbarela

(outro conto antigo, inspirado nas cidades invisíveis do Calvino)

Barbarela é a cidade do não-lugar. Ao sobrevoar o céu manchado de cinzentas, percebo que não existem casas e construções, mas tendas feitas por tecidos finos e transparentes. As vidas são expostas aos amantes do olhar. Não existem ruas e placas, são proibidos referenciais.

A população transita de um canto a outro, tal como nômades sem horizonte. Insetos enormes são animais de estimação. Agem como cães de guarda raivosos infectando os estrangeiros desavisados e os loucos por comprometimento.

A vida em Barbarela é feita sem passado e tradição. À primeira vista, é difícil compreender o porquê das mãos disformes dos idosos que profetizam. “É o reflexo do tempo”, explica o piloto. Os mais assanhados têm as palmas das mãos gordas, inchadas, marcadas pelos inúmeros relacionamentos e pelo calor das outras mãos. A cidade vive em alerta, atenta ao perigo de se relacionar.

Em Barbarela, impera a lei do terror. Os mais neuróticos dormem e acordam incorporados aos seus escalafobéticos óculos escuros. Reza a lenda que, entre os habitantes, há seres geneticamente modificados, fruto de relações sexuais primitivas, com a capacidade de enxergar através do olhar do outro.

São os chamados sugadores. Eles devassam sentimentos e irrompem a barreira do toque. Os estrangeiros se precipitariam e diriam que Barbarela é o paraíso, mas eles desconhecem as sutis leis da liberdade que escravizam os cidadãos condenados a gozar à distância.

Instituto Claro recomenda o Eusébio para educadores!

Como jornalista da área de educação, aprecio muito o trabalho do Instituto Claro. Eles são bons pacas. E para minha surpresa, hoje, assim de repente, vi no site duas notas. Uma bem antiga, de janeiro, onde ele dizem paras as pessoas experimentarem o Travessuras do Eusébio. E outra desses dias, onde recomendam o meu tucaninho para os educadores. Feliz da vida. Pé ante pé vou caminhando…

Olha só o que eles dizem:

Especial Educadores

Esse é um espaço para a troca de experiência, compartilhamento de idéias e práticas para melhor aproveitar o potencial das tecnologias digitais de informação e comunicação no processo de aprendizagem.

Travessuras do Eusébio

Voltado, principalmente, para crianças entre sete e dez anos, que estão descobrindo os recursos da internet, o site “Travessuras do Eusébio” traz uma rica forma de aprendizado: a escrita colaborativa. São os internautas que escrevem os próximos capítulos da história de Eusébio, um tucano que foi separado da mãe por traficantes de animais. Por meio de um blog, os participantes mandam suas sugestões e o melhor trecho da semana é publicado. O site também traz desenhos para colorir, jogo dos erros, labirinto, caça palavras e até dicas fáceis de culinária.

Destaques para o educador

- A experiência de ter seu texto publicado e lido por diversas pessoas é muito rica para a criança ou jovem, além de ajudar no seu desenvolvimento escolar.

- O site também pode ser usado em sala de aula, com professores e alunos construindo uma história conjunta

- Mesmo no papel, é uma proposta que estimula a criatividade e a habilidade escrita.

- O projeto tem página no Twitter, Orkut, Facebook e um blog, que estimulam a entrada das crianças mais novas nas redes sociais.

- No blog, além dos trechos novos da historia, há textos sobre tráfico de animais silvestres, relação com o meio ambiente, curiosidades sobre a vida dos bichos e outros temas transversais à trama.

- É possível deixar recados no mural e enviar cartões para os amigos, incentivando a interação entre os usuários.

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