O texto mais bonito que já li foi ” A última crônica”, do Fernando Sabino. Quem puder leia. Sem dúvida, ele é um dos maiores. Mas eu nunca tinha lido “O encontro marcado”. Até ontem. Estamos nos acostumando um ao outro. Foi a primeira vez que um exemplar me deu alergia. É, é velho. Bastante. Por que não um novo? Porque eu quero o velho. Quero as suas lembranças, o toque, as descobertas (a alergia vai passar).
Enquanto isso, a epígrafe – um trecho de carta de Hélio Pelegrino. A todos jovens, tolos, que pretendem ganhar-se a si mesmos.
O homem, quando jovem, é só, apesar de suas múltiplas experiências. Ele pretende, nessa época, conformar a realidade com as suas mãos, servindo-se dela, pois acredita que, ganhando o mundo, conseguirá ganhar-se a si próprio. Acontece, entretanto, que nascemos para o encontro com o outro, e não o seu domínio. Encontrá-lo é perdê-lo, é contemplá-lo na sua libérrima existência, é respeitá-lo e amá-lo na sua total e gratuita inutilidade. O começo da sabedoria consiste em perceber que temos e teremos as mãos vazias, na medida em que tenhamos ganho ou pretendamos ganhar o mundo. Neste momento, a solidão nos atravessa como um dardo. É meio dia em nossa vida, e a face do outro nos contempla como um enigma. Feliz daquele que, ao meio dia, se percebe em plena treva, pobre e nu. Este é o preço do encontro, do possível encontro com o outro. A construção de tal possibilidade passa a ser, desde então o trabalho do homem que merece o seu nome.


